Biografia

The Smiths foi uma banda de rock Inglesa formada em Manchester nos anos 80. Morrissey e Marr, uma das duplas mais famosas do pop britânico e quem sabe do mundial. Juntos montaram uma das mais importantes bandas dos anos 80. Anos depois quando o sucesso estava cada vez maior, separaram-se, deixando uma legião de órfãos por todos os lados.
Sinteticamente esta é a história dos Smiths.
Simples como o nome da banda.

Os Smiths influenciaram uma geração de novas bandas inglesas. A guitarra de Johnny Marr é imitada nos locais mais distantes do mundo. As letras de Morrissey são consideradas das mais inspiradas do universo alternativo até hoje. Se é assim, por que a banda acabou? Simples: Marr queria o sucesso; Morrissey queria continuar independente.
Quem é o errado? Não dá pra saber, sabemos apenas que o mundo da música perdeu uma de suas maiores parcerias e provavelmente nunca será vista junta novamente. Quando questionado sobre uma possível volta do grupo, Morrissey respondeu: “_-Nem em um milhão de anos!”.

Desde o início havia, entre Morrissey e Marr, alguns conflitos que acabariam por detonar o futuro da banda. Morrissey sempre foi mais introspectivo, avesso ao sucesso mas que ao mesmo tempo adorava ser pop.
Já Johnny Marr encarnava o rebelde, o roqueiro, aquele que não estava sossegado com o que a banda já havia conseguido. Queria sempre mais.
Por outro lado, um tanto apagados, estavam Andy Rourke e Mike Joyce, que mesmo fazendo parte da banda desde o inicio, nunca tiveram os devidos créditos, já que todas as músicas eram assinadas apenas por Morrissey e Marr. Se formos ver a banda durou até que muito tempo, pra alegria dos fãs.


Manchester – 1982-1985


Na chuvosa cidade, Steven Patrick Morrissey era apenas um poeta e presidente do fã clube local dos New York Dolls quando conheceu Johnny Marr, que já havia tocado em algumas bandas da cidade. O encontro entre os dois, que já se conheciam de nome, foi arranjado por Steve Pomfret, que levou Marr até a casa de Morrissey. Pomfret tinha certeza que os dois se entenderiam, o que aconteceu de forma espantosa. Pomfret tinha planos de se unir à dupla, mas logo notou que não tinha talento suficiente para isso e desistiu. Os dois tiveram a idéia de compor músicas para oferecer a outros artistas, mas logo desistiram disso e resolveram que o caminho a ser seguido seria o de montar uma nova banda. O passo seguinte era: dar um nome para o grupo. Morrissey escreveu em um pedaço de papel alguns nomes: Smiths, Smithdom e Smiths Family. Marr escolheu Smiths, que, por ser um dos sobrenomes mais comuns da língua inglesa, se encaixava como uma luva para a proposta do grupo, que era de fazer canções simples, falando de pessoas comuns. Existem outras histórias sobre o nome, uma delas fala de uma homenagem a Patty Smith, cantora da qual Morrissey é fã.


Nome escolhido, passaram a fazer alguns testes para bateristas e o escolhido foi Mike Joyce, que havia abandonado sua antiga banda depois de ouvir uma gravação demo dos Smiths, que ainda contava apenas com Morrissey e Marr. Joyce foi escolhido depois de tocar What Difference Does It Make?, dizem que, sob efeito de cogumelos alucinógenos. Já Andy Rourke quase não foi aceito, pois Morrissey quis colocar outro baixista na banda, um conhecido dele, chamado Dale. Marr o pressionou, pois já havia tocado com Rourke em outra banda e conhecia o talento do baixista. No fim das contas, Morrissey foi convencido e Andy Rourke foi o último a ser escalado para a banda. Com a formação completa, a banda fez seu primeiro show em 4 de outubro de 1982.


No início do ano seguinte, com uma demo de Hand in Glove, eles começaram a bater nas portas de algumas gravadoras britânicas, entre elas a EMI inglesa, que rejeitou o trabalho. Por fim, foram contratados pela Rough Trade, gravadora novata que havia iniciado seus trabalhos como uma importadora de discos. Antes disso, os Smiths gravaram uma BBC Sessions, para o programa de John Peel. A banda, no ano de 83, grava mais dois singles, já pela Rough Trade. This Charming Man, o terceiro lançamento da banda, se tornou um sucesso, tornando-se o single mais vendido da então pequena gravadora.


Apesar disso, os Smiths só vieram a lançar seu primeiro disco em fevereiro de 84, o disco chamado apenas The Smiths trazia Reel Around The Fountain, This Charming Man, Hand In Glove, What Difference Does It Make?, entre outras, todas clássicas hoje em dia. Porém, na época o disco não vendeu bem e a banda quase se desfez. Logo após o lançamento deste primeiro disco eles gravaram mais um single, agora com Heaven Knows I´m Miserable Now no lado A e Suffer Little Children no B, e foi justamente este lado B que fez a mídia dar atenção à banda novamente. Graças a este novo gás, saem em uma mini-turnê européia e lançam mais um single, com William, It Was Really Nothing, e a clássica How Soon is Now? no lado B. O grupo passa a ser considerado uma das sensações inglesas e também um dos mais promissores do novo cenário musical e consegue cacife para bancar mais um disco em menos de um ano. Ainda em 84, lançam a compilação Hatful of Hallow. Este trabalho compilava as gravações que a banda fez para a BBC.


Com apenas estes dois lançamentos e vários singles, as letras de Morrissey começaram a causar furor entre a pudica sociedade britânica, que chegou a dizer que elas incentivavam o abuso de crianças e assassinatos. Nada mais ridículo, só que isso rendeu aos Smiths mais e mais propaganda, e com isso as vendas também aumentavam.


No ano seguinte, 85, lançam Meat Is Murder, cuja música titulo é uma ode ao vegetarianismo, que Morrissey seguia piamente… Neste disco, The Headmaster Ritual, Barbarism Begins At Home e How Soon is Now? são os destaques. Meat is Murder marca também a primeira baixa nos Smiths: Andy Rourke resolve abandonar a banda. Em seu lugar, assume Craig Gannon como novo baixista. Com a nova formação lançam Bigmouth Strikes Again que viria a ser o carro chefe de sua obra prima, The Queen is Dead.

The Queen is Dead


Esta é sem duvida a obra prima dos Smiths. Lançado em 1986, chegava às paradas internacionais com o hit The Boy With the Thorn in His Side. Esta música marcou também a gravação do primeiro vídeo clipe da banda, já que anteriormente apenas versões ao vivo de suas músicas haviam sido gravadas. Mas nem tudo deu certo: antes mesmo do lançamento do álbum, o baixista Andy Rourke deixa a banda sem maiores explicações e Craig Gannon entra como segundo guitarrista. Já com esta formação é que lançam o primeiro single do álbum, Bigmouth Strikes Again. Curiosidade: Gannon não aparece nos créditos do The Queen is Dead.


Independente disso, este disco mostra uma reviravolta na carreira dos Smiths, o sucesso começa a bater na porta de Morrissey e Marr e as criticas à realeza, ao governo de Margareth Tatcher e à imprensa, que apareciam de forma sutil nos trabalhos anteriores, vem com força total. A faixa titulo é uma afronta ao modo de vida da Rainha e seus filhos. Bigmouth Strikes Again, ou na tradução livre, “o bocudo ataca novamente”, indica o que a banda achava dos tablóides sensacionalistas britânicos. Ainda neste mesmo ano de 86, os shows e qualquer plano que eles tinham para o futuro tiveram que ser deixados de lado: Johnny Marr sofre um grave acidente de carro, e a banda é obrigada a dar um tempo.


Mesmo assim lançam, graças a gravações feitas antes do acidente de Marr, mais um single, Ask, e gravam material para o primeiro disco ao vivo da carreira: Rank, que seria lançado alguns anos depois. Gannon, logo após este show, é demitido da banda por problemas com heroína, e Rourke retornaria logo depois.


No ano seguinte, uma nova compilação é lançada em duas versões, a européia The World Won´t Listen como um álbum simples e a americana Louder Than Bombs como um duplo, englobando diversos singles e lados b´s lançados pela banda desde seu nascimento.


O Começo do Fim


Marr, já recuperado do acidente, volta à banda, e os Smiths também voltam a fazer shows pela Inglaterra e a gravar um novo disco. Com isso, as diferenças entre ele e Morrissey começaram a ficar cada vez mais visíveis. O cantor mais tradicionalista passou a bater de frente com as idéias inovadoras do guitarrista e isso é visto no novo disco, Strangeways Here We Come. Marr queria transformar os Smiths numa verdadeira banda de rock, ao contrário do que Morrissey queria para o grupo. Aliado a isto, outros problemas levaram ao fim da banda. Eles estavam com um processo contra a Rough Trade, sua gravadora, e este seria o último disco por ela. Estavam também sem empresário, e Morrissey tinha problemas graves com o fato de ter se tornado uma estrela. Haviam também problemas monetários, já que a divisão dos direitos autorais era feita de uma maneira não muito justa. Por fim, havia a velha richa com a imprensa inglesa, que vivia pegando no pé dos Smiths


A gota d´agua para a separação foi uma matéria falsa feita pelo New Musical Express com o título “Smiths to Split” (Smiths prestes a acabar). Marr, que não estava na Inglaterra quando o tablóide foi para as bancas, achou que a matéria era uma provocação feita por morrissey e resolveu sair da banda. Os demais, Morrissey, Rourke e Joyce, tentaram continuar juntos, mas viram que sem a guitarra inspirada de Marr o nome Smiths tinha perdido totalmente o sentido. Era o fim da banda em seu auge.


Mesmo depois do fim, eles continuariam a faturar em cima do nome Smiths, foram lançados um álbum ao vivo, Rank, e mais tres coletâneas, além do relançamento dos trabalhos anteriores.


Como anteriormente dito, um dos problemas que contribuíram para o fim da banda foi a divisão dos direitos autorais. Todas as músicas eram assinadas como sendo apenas da dupla Morrissey e Marr, ficando para Andy Rourke e Mike Joyce apenas 10%, para cada um, do que foi arrecadado. Os outros 80% ficavam com a dupla compositora. O baixista e o baterista, então, entraram com um processo contra os demais e, em 88, o resultado foi favorável a Rourke e Joyce. Morrissey e Marr entraram com recurso, dizendo que os músicos sempre souberam qual seria a porcentagem que caberia a eles, mas em 98 a sentença final deu ganho de causa aos reclamantes, e a dupla chefe dos Smiths teve que acatar a decisão.


Um Novo Inicio


Ninguém esperava que Morrissey e Marr conseguiriam algum destaque na música sem o nome Smiths. Todos, fãs, críticos e jornalistas, viram que estavam errados quando foi lançado o primeiro disco solo de Morrissey. Viva Hate, de 88, foi um sucesso, graças também aos hits Suedehead e Everyday is Like Sunday, que traziam aos fãs boas lembranças de seu ex-grupo. No mesmo ano, continuando com a tradição smithsiana, é lançado mais um single, agora de Ouija Board, e novamente as intrigas criadas pelos jornalistas começaram a aparecer nos tablóides sensacionalistas britânicos. Tentando ter um pouco de paz, Morrissey se afasta totalmente da mídia para se dedicar exclusivamente ao próximo disco, mas o que vimos na seqüência foi o lançamento de vários singles, entre eles November Spawned A Monster, recorde de vendas, que serviu para confirmar que a carreira solo ia de vento em popa.


Somente dois anos depois é lançado Bona Drag, com algumas regravações, alguns singles e poucas músicas inéditas, entre elas, Last Of The Famous International Playboy. No ano seguinte, 91, sai Kill Uncle. Sem muita divulgação o disco acabou ficando um tanto que de lado pelas rádios. Em 92, Morrissey volta ao topo, agora com Your Arsenal, disco aclamado pela critica, e que chegou a concorrer ao Grammy de álbum do ano, além de ser o disco que mais vendeu na carreira solo do cantor. Mas o ano também é marcado por problemas: dois amigos íntimos de Morrissey morrem, e se isso não bastasse, é lançado o livro Morrissey and Marr - The Severed Alliance, que afirma que os Smiths acabaram devido ao ego e a vaidade de Morrissey.


Passa-se o tempo e é lançado mais um disco, o último pela EMI, gravadora que acolheu o cantor depois do fim dos Smiths. Vauxhall and I, de 94, é um sucesso e o single The More You Ignore Me, the Closer I Get bate recorde de vendas, mas não chega ao patamar do disco anterior, Your Arsenal. No ano seguinte, saem os primeiros trabalhos pela Island: os discos Southpaw Grammar e World Of Morrissey, ambos mesclando regravações com canções novas, mas nenhum serviu pra grande coisa, além de aumentar sua discografia…


Só em 97, com Maladjusted, é que todo o lirismo do ex-Smiths volta a tona. A belíssima Alma Matters, a faixa título, e Satan Reject my Soul, caberiam em qualquer disco dos Smiths e não fariam feio. Mas, novamente, é lançado outro álbum um tanto quanto sem inspiração: My Early Burglary Years é o último trabalho inédito de Morrissey que deve voltar a gravar somente em 2003.


Em 2000 Morrissey faz a sua primeira turnê pela América do Sul, com shows em várias capitais brasileiras, sempre com casa cheia.


Mas pra quem acha que Marr passou todo este tempo parado, outro engano: o guitarrista trabalhou com David Byrne, Brian Ferry, Billy Bragg, tocou durante uma turnê com os Pretenders, de Chrissie Hynde, e gravou dois discos com Matt Johnson, a mente por tras do The The. Os discos são Mind Bomb e Dusk. Esta parceria durou até 93, quando Marr resolveu partir para outros projetos.


Mesmo durante o tempo com Johnson, Marr manteve um outro projeto, este com Bernard Sumner do New Order: o Eletronic, que lançou três discos. O primeiro deles foi lançado em 91, com o mesmo nome da banda. O segundo, Raise The Pressure, foi lançado apenas em 96, e um terceiro disco, Twisted Tenderness-Deluxe, em 2001. O Eletronic não acabou, é apenas um projeto paralelo dos dois artistas, tanto que Marr esta com uma nova banda, chamada Healers, que promete gravar um disco no ano que vem.


Quanto aos demais ex-membros dos Smiths: Mike Joyce, logo depois que os Smiths terminaram, foi convidado para tocar, junto com Andy Rourke, na turnê de Sinnead O´Connor. Entre 88 e 89, voltou a tocar com Morrissey nos singles The Last Of The Famous International Playboys e Interesting Drug. Logo depois, em 90, saiu em turnê mundial com uma das bandas das quais era fã: os Buzzcocks. Após a turnê, tocou com Julian Cope e, em 93, foi convidado para tocar com o Public Image Limited, de John Lydon, que sairia para shows nos Estados Unidos e Inglaterra. Nos anos seguintes colaborou, sempre como convidado, com a cantora soul P.P. Arnold, e com Pete Wylie. Foi convidado também para tocar com o músico Aziz, novamente com Andy Rourke, e, em 2001, montou junto com Rourke e Paul Bonehead Athurs, do Oasis, a banda Moondog One.

Voltando a falar em Morrissey, o cantor lançou em 2004 o aclamado disco You are the Quarry, considerado o melhor disco da carreira do cantor. No mesmo ano, Morrissey se apresenta pela segunda vez no Brasil - a primeira foi em 2000 -, no TIM Festival.

Em 2005, sai Live at the Earls Count, disco ao vivo trazendo várias versões de canções dos Smiths, sepultando de vez a “bronca” que Morrissey tinha de sua antiga banda.

No começo de 2006 é lançado um novo álbum, Ringleader of the Tormentors, que tenta superar o sucesso de You are the Quarry.

Editado por guireich em Jun 12 2014, 13h17

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