• A mágica prevalece

    Ago 15 2009, 21h05

    Quando os doze artistas sobem ao palco não há outra palavra, senão mágica, que possa descrever o fenômeno. Antes de moda ou bola da vez, O Teatro Mágico é arte pura: baseado numa sinestesia que encanta até mesmo quem nunca ouviu falar da banda, suas apresentações conciliam poesia, música, dança e arte circense.

    Ainda que não rendidos ao mainstream das gravadoras, O Teatro Mágico virou assunto nas conversas e nas cidades por onde se apresenta. Seu método, no entanto, passa longe do jabá: a banda conseguiu seu respeito por nada mais do que sua excelência, em arte e posicionamento.



    Apelidando sua música de MPB – Música Para Baixar -, a distribuição dos arquivos facilitou a popularização das faixas e corroborou o movimento que toda uma geração que cresceu juntamente com a internet vem defendendo: compartilhar não é crime. Todas as músicas do T.M. são distribuídas sob uma licença Creative Commons de Atribuição-Uso Não-Comercial, o que quer dizer que, você pode distribuir, copiar e executar a obra como bem entender, contanto que dê os créditos e não haja fins comerciais, para o qual é necessária a devida autorização.

    Se outros já tentaram trilhar o mesmo caminho ou se vêm levantando as mesmas bandeiras, não faz diferença. Aparentemente, ninguém tem feito tão bem quanto eles. Quem já freqüentou um show do grupo conhece a emoção única diante do espetáculo. O clima intimista colabora para a sensação de que a troupe liderada por Fernando Anitelli não fala para ninguém mais, além de você. Sensação que fica completa, quando perambulando no fim da noite, você encontra os artistas aqui e ali na casa de música e consegue conversar com eles – dando ataques histéricos de fã ou não.

    Deixando de lado a impessoalidade jornalística, digo logo de uma vez: o que mais me encantou como fã quando pude assistir a um show do Teatro Mágico foi a sensação de grupo que parecia haver naquela noite entre os presentes. Talvez isso se deva por ter assistido o show em um local onde eles já haviam se apresentado várias vezes, mas o fato é que todos pareciam se encontrar na mesma sintonia. Pensando bem, poderia ser diferente quando a apresentação tão completa não possibilita que você “desfixe” o olhar ou “desligue os ouvidos”?

    Para mim, é bobagem ser contra a banda porque eles viraram “moda”. Até porque, neste caso, moda não é uma palavra que se encaixa tão bem quanto reconhecimento. O grupo defende a liberdade, o unir “tudo numa coisa só”. Quem fala de liberdade, quem quer o crescimento do artista e tem ciúme com suas bandas, ou preconceito com quem está no auge simplesmente porque ele está, pode ser considerado meio hipócrita. Artistas devem ser analisados por seu talento, não por seus “seguidores”.

    Talvez o texto pareça parcial demais, mas como defensora das novas tecnologias – e das conseqüências e mudanças que estas requerem dentro da sociedade -, não poderia deixar de admirar o grupo. Se inicialmente me encantei pelo estilo de música, mais tarde pude reafirmar minha admiração quando fui descobrindo todos estes traços deles.

    Site, blog, twitter, orkut, last.fm… Estes e tantos outros recursos sociais da internet são as ferramentas principais para o sucesso da banda. Longe do esnobismo tão presente na “verdadeira” MPB – Música Popular Brasileira -, eles mantêm sua busca pela interação e seguem remando a favor da evolução que está acontecendo no meio musical. Exemplo disso é que, nesta quinta (13), os internautas puderam acompanhar online a gravação de uma música, depois de terem colaborado pelo twitter no processo de criação da letra.

    Brincando com as palavras, O Teatro Mágico é uma espécie de bandinha pequena com um número anormal de fãs. E essa parece ser uma receita que merece sucesso.

    O show em Conquista acontece na Sexta (21)!



    A seguir, as 12 músicas músicas mais tocadas da banda nos últimos seis meses, na rede social Last.Fm. Para baixar, clique em download!

    01. O anjo mais velho [Download]
    02. Camarada d’água [Download]
    03. Pena [Download]
    04. Zazulejo [Download]
    05. Sonho De Uma Flauta [Download]
    06. Cidadão de Papelão [Download]
    07. Criado Mudo [Download]
    08. Ana e o mar [Download]
    09. Sina Nossa [Download]
    10. Amadurecência [Download]
    11. O Mérito e o Monstro [Download]
    12. Abaçaiado [Download]

    Postado em iemai.com.br
    Fotos por mim, no Opinião, em Porto Alegre
  • Skank

    Ago 15 2009, 20h53

    Jackie Tequila, Te Ver, Pacato Cidadão, Garota Nacional, É uma Partida de Futebol, Resposta, Saideira, Balada do Amor Inabalável, Dois Rios, Vou Deixar, Vamos Fugir…

    Listar sucessos do Skank não é uma tarefa difícil. Além disso, seus muitos hits poderiam também ser utilizados como trilha sonora para a vida de muita gente. É fácil entender o porquê: o Skank tem 19 anos de história e seus integrantes, suas músicas e, consequentemente, o seu sucesso amadureceram juntamente com muitos dos seus fãs.

    Foi procurando misturar reggae com diversos ritmos brasileiros que o grupo começou sua carreira no ano de 1991, em Belo Horizonte. Samuel Rosa (vocal), Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria) tocaram juntos para um público pagante de 37 pessoas no primeiro show do Skank -- e continuam tocando juntos até hoje, estrelando o tipo de parceria pouco vista na cena musical brasileira.

    A banda, como várias outras com quem dividiu proximamente o cenário, lançou seu primeiro álbum de forma independente. Com o álbum homônimo de 1992, o Skank conquistou rapidamente contrato com a Sony Music, que relançou o cd no ano seguinte. Antes mesmo do lançamento de Calango, em 1994, o grupo já havia vendido mais de 120 mil cópias do seu primeiro álbum.

    A partir daí o sucesso ganhou ritmo. Foi em Calango que o Skank lançou três das várias trilhas citadas aqui no início. Te Ver, Pacato Cidadão e Jackie Tequila compartilham espaço também com as conhecidíssimas É Proibido Fumar e Esmola; e garantiram a venda de mais de 1.200.000 cópias do segundo cd.

    O disco seguinte, O Samba Poconé, 1996, “carregou” a banda por cerca de nove países e lançou para o mundo Garota Nacional, hit que, além de movimentar o país, liderou por três meses as paradas musicais da Espanha. Neste ano e em 1997, o Skank ganhou o Astronauta de Prata no Video Music Awards (VMA), premiação internacional da MTV. Os trabalhos premiados foram o irreverente clipe de Garota Nacional e o mineiríssimo É Uma Partida de Futebol -- música que, no ano seguinte, foi incluída pela FIFA no disco oficial da Copa do Mundo.



    Entre sucessos nos vários anos seguintes, destaca-se o ano de 2004, quando a banda relançou a canção de Gilberto Gil e Liminha, Vamos Fugir, e conseguiu, além do “repeat constante” na cabeça de muita gente, a maior comercialização de Ring Tones do ano de 2005. Em outubro do ano seguinte, Skank foi o primeiro grupo brasileiro a ter um álbum lançado em formato digital, quando a Sony Ericsson lançou um aparelho com o álbum Carrossel completo e o videoclipe de Uma Canção é Pra Isso.

    Seu álbum mais recente é o Estandarte, lançado no segundo semestre de 2008, que tem Ainda Gosto Dela como música de trabalho. Bem recebido pelas críticas, o álbum, no entanto, gerou controvérsia entre fãs. Maior receptividade do que as faixas no geral, no entanto, teve Sutilmente que conseguiu seu lugar de “2° single” do disco após votação no site oficial da banda.



    Skank tem hoje em sua discografia um total de 10 cds e 3 dvds. Vencendo mais prêmios e fazendo mais turnês pelo mundo, os anos consagraram o Skank como uma das bandas mais atuantes do pop-rock brasileiro. Seu estilo versátil se diversificou ainda mais com sua maturidade, o que contribuiu para que participassem de parcerias importantes e figurassem em shows com grande freqüência. O site oficial da banda resume em seu histórico a essência do grupo com uma frase:

    "Uma polivalência de quem não revela amarras senão com o pop perfeito e com a energia para levantar a multidão”

    É com ansiedade que o público conquistense aguarda essa energia para o show do último dia do Festival de Inverno, domingo, 23 de agosto.

    Originalmente postado em http://festival.reverterio.com/2009/08/03/skank
  • Pra quem gosta de nós é um prato cheio

    Dez 18 2006, 1h22

    2006-11-12 22:46:00



    Quem me conhece um pouquinho melhor sabe o quanto eu amo Engenheiros do Hawaii. Simplesmente porque é a banda que conseguiu me fazer gostar de todos os cds, sentir as músicas, analisar letras, tentar descobrir duplo sentido e referências. Engenheiros é bem cheio disso: caça ao tesouro.
    Pois bem, o pirata que ama brincar com a gente, mais conhecido como Humberto Gessinger, acabou de nos dar mais alguns mapas. Ontem o site oficial disponibilizou os vídeos de cinco demos para o cd que vai ser lançado ano que vem! Luz, Faz de Conta, No meio de tudo você, Pra quem gosta de nós e Vertical.
    No fim das contas, é como se Humberto dissesse (seguindo ao pé-da-letra): "Pra quem gosta de nós é um prato cheio". É, porque a discussão não para. Pode ser o laço da forca por quem não gostou ou o lenço de quem se emocionou aprovando. O fato é que sem a senha certa ninguém tem acesso ao real sentido das filosofias gessingerianas e fica boiando no sentindo verdadeiro das músicas. Saber (do óbvio) todo mundo sabe e querer (saber do implícito) todo mundo quer.
    É isso. Se a sua mente não for aberta o bastante só vai enxergar o silêncio e olha que ainda temos muito caminho pela frente!

    Postado em Isshou