Ainda que não rendidos ao mainstream das gravadoras, O Teatro Mágico virou assunto nas conversas e nas cidades por onde se apresenta. Seu método, no entanto, passa longe do jabá: a banda conseguiu seu respeito por nada mais do que sua excelência, em arte e posicionamento.

Apelidando sua música de MPB – Música Para Baixar -, a distribuição dos arquivos facilitou a popularização das faixas e corroborou o movimento que toda uma geração que cresceu juntamente com a internet vem defendendo: compartilhar não é crime. Todas as músicas do T.M. são distribuídas sob uma licença Creative Commons de Atribuição-Uso Não-Comercial, o que quer dizer que, você pode distribuir, copiar e executar a obra como bem entender, contanto que dê os créditos e não haja fins comerciais, para o qual é necessária a devida autorização.
Se outros já tentaram trilhar o mesmo caminho ou se vêm levantando as mesmas bandeiras, não faz diferença. Aparentemente, ninguém tem feito tão bem quanto eles. Quem já freqüentou um show do grupo conhece a emoção única diante do espetáculo. O clima intimista colabora para a sensação de que a troupe liderada por Fernando Anitelli não fala para ninguém mais, além de você. Sensação que fica completa, quando perambulando no fim da noite, você encontra os artistas aqui e ali na casa de música e consegue conversar com eles – dando ataques histéricos de fã ou não.
Deixando de lado a impessoalidade jornalística, digo logo de uma vez: o que mais me encantou como fã quando pude assistir a um show do Teatro Mágico foi a sensação de grupo que parecia haver naquela noite entre os presentes. Talvez isso se deva por ter assistido o show em um local onde eles já haviam se apresentado várias vezes, mas o fato é que todos pareciam se encontrar na mesma sintonia. Pensando bem, poderia ser diferente quando a apresentação tão completa não possibilita que você “desfixe” o olhar ou “desligue os ouvidos”?
Para mim, é bobagem ser contra a banda porque eles viraram “moda”. Até porque, neste caso, moda não é uma palavra que se encaixa tão bem quanto reconhecimento. O grupo defende a liberdade, o unir “tudo numa coisa só”. Quem fala de liberdade, quem quer o crescimento do artista e tem ciúme com suas bandas, ou preconceito com quem está no auge simplesmente porque ele está, pode ser considerado meio hipócrita. Artistas devem ser analisados por seu talento, não por seus “seguidores”.
Talvez o texto pareça parcial demais, mas como defensora das novas tecnologias – e das conseqüências e mudanças que estas requerem dentro da sociedade -, não poderia deixar de admirar o grupo. Se inicialmente me encantei pelo estilo de música, mais tarde pude reafirmar minha admiração quando fui descobrindo todos estes traços deles.
Site, blog, twitter, orkut, last.fm… Estes e tantos outros recursos sociais da internet são as ferramentas principais para o sucesso da banda. Longe do esnobismo tão presente na “verdadeira” MPB – Música Popular Brasileira -, eles mantêm sua busca pela interação e seguem remando a favor da evolução que está acontecendo no meio musical. Exemplo disso é que, nesta quinta (13), os internautas puderam acompanhar online a gravação de uma música, depois de terem colaborado pelo twitter no processo de criação da letra.
Brincando com as palavras, O Teatro Mágico é uma espécie de bandinha pequena com um número anormal de fãs. E essa parece ser uma receita que merece sucesso.
O show em Conquista acontece na Sexta (21)!

A seguir, as 12 músicas músicas mais tocadas da banda nos últimos seis meses, na rede social Last.Fm. Para baixar, clique em download!
01. O anjo mais velho [Download]
02. Camarada d’água [Download]
03. Pena [Download]
04. Zazulejo [Download]
05. Sonho De Uma Flauta [Download]
06. Cidadão de Papelão [Download]
07. Criado Mudo [Download]
08. Ana e o mar [Download]
09. Sina Nossa [Download]
10. Amadurecência [Download]
11. O Mérito e o Monstro [Download]
12. Abaçaiado [Download]
Postado em iemai.com.br
Fotos por mim, no Opinião, em Porto Alegre

